sexta-feira, 13 de junho de 2008

Quem é Xandú?, parte 2

Um túnel chamou a atenção deles e logo ao seu uma boneca de plástico no chão. Imediatamente recordaram-se da história que o delegado havia contado-lhes:

"Eles suspeitam que o Xandú esteja em posse de uma criança, filha de um empresário..."

Isso tocou o coração do policial de meia-idade. Era crucial encontrar esta criança. Enchendo-se de coragem disse:

"Alguém precisa liderar o grupo. Que tal você Rodolfo?" disse olhando para seu colega. Apesar de Almeida ser policial há mais tempo que os dois, Rodolfo era policial federal há mais tempo, o que para o ex-policial civil significava muito.

Entraram no túnel com Rodolfo em primeiro, Almeida em segundo e Uashinton em terceiro. O túnel era uma obra de engenharia rudimentar com utilização extrema das linhas naturais, possuía linhas tortuosas e um metro e meio de altura.




Caminhando por ele a sensação de aperto e calor traziam vertigem, Rodolfo sentiu isso. Sua face se tornou pálida e suas ações ficaram lentas. Almeida meteu a mão na sua cara, para ele o descontrole de Rodolfo era um raro momento de fraqueza no policial federal, por quem o primeiro tinha a maior consideração. Rodolfo voltou a si.

De repente um som de sirene foi ouvido. Seguido de outro... O significado era claro: detonação.




"CORRE! VAI! VAI!" Foi rápido o suficiente para chegarem até as últimas duas portas que não haviam aberto da última vez que estiveram aqui. O túnel por onde havia passado estava desmoronado e a sua frente grandes blocos de pedra impediam a progressão. Estavam presos ao lado de duas portas e a poeira abaixava lentamente, foram minutos de tensão.



Olhando pela fechadura viram que a porta da esquerda dava para uma sala-biblioteca e a da direita para uma sala de enfermaria. Resolveram abrir a sala da direita.

Quatro corpos encontravam-se deitados em macas metálicas. O ar-condicionado ainda estava ativo, o que fazia o ar difícil de respirar, já que a poeira ainda se fazia presente.

A falta de conhecimento em medicina dificultou o diagnóstico de vida ou morte dos quatro corpos. Aparentemente estavam vivos, mas em um estado cataléptico.

Procuraram no ambulatório e não encontraram nada de importante. Apenas uma sala de medicamentos.

Resolveram investigar a outra porta e descobriram que estava trancada. Rodolfo se adiantou começou a abrir a porta, enquanto Torão já se posicionava para invadir. Almeida sorriu apesar da tensão, ele sabia que ia gostar desse cara.

A porta foi destrancada e não havia ninguém dentro da sala. Foi Torão quem chamou a atenção para o teto, ele caiu em cima de Almeida e a luta foi feroz. Apontando seu maçarico em um arco, ele só a feriu. Isso não foi o suficiente e a criatura penetrou suas garras acima das clavículas de Almeida.

Pânico mais uma vez tomou conta de Almeida.

Era uma questão de sobrevivência e utilizando o maçarico na criatura, ele conseguiu feri-la ainda mais. Rodolfo e Torão foram fundamentais, para sacramentar a morte da criatura.

Um corpo de um jovem de meia idade estava parado, com várias perfurações no corpo, onde estaria Xandu? O corpo possuía perfurações e queimaduras semelhantes aquelas afligidas a Xandu... Seria este o monstro Xandu? Como?

Uma mesa de madeira com vários riscos quebrava a amplidao da sala. Riscos escritos um em cima do outro, como se o dono dessa sala estivesse estudando isso a anos. Almeida sentiu as peças dessa cena do crime, tudo se movia a sua frente como partes flutuantes:

  • A data de nascimento de 1916.
  • O corpo do jovem perfurados por balas
  • Os escritos em espanhol
  • Os latinos da MBR
  • As FARC
  • A demolição
  • A MBR
  • A foto da casa de Torão

Uma mesa de madeira com vários riscos quebrava a amplidão da sala. Riscos feitos um sobre o outro... bizarro!

A peças se encaixavam em parte... Provavelmente Xandu fora trazido pelas FARC para proteger o local ou trabalhar para eles, mas o que ele estava estudando ainda não estava claro, nem a sua data de nascimento ou o que ele era... Seria algum tipo de maldição? Doença?

Foi retirado do torpor pela voz de Rodolfo. "Vamos"

Almeida estava muito ferido, Torão e Rodolfo quase sem munição. Era necessária cautela. Ruídos no corredor fizeram os policiais fecharem a porta e aguardar. Na escuridão que se abatera, pela queima da lâmpada deste cômodo, os óculos da visão noturna foram ligados. Aparentemente era um dos pacientes da outra sala, uma criança.



A criança informou que havia sido capturada há muito tempo quando haviam vindo para cuidar do jardim. Como estavam presos, tiveram a idéia de pedir ao garoto para buscar ajuda, passando pelos blocos de pedra que estavam no caminho. Almeida ainda deu o seu celular para o garoto, para que ele pudesse ligar, assim que possível.

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