sábado, 14 de junho de 2008

Reflexões de Almeida

Almeida caminhou até a varanda da cobertura onde morava Giovane, o policial federal que agora sabiam estar morto pelo ferimento que Almeida causara.

Almeida tirou seu maço de Carlton do bolso, bateu em seu dedo indicador. Deixou um cigarro cair, levou a boca. Acendeu seu isqueiro, acendeu o cigarro. Baforou ao vento.

Almeida tentava entender aonde se encontrava. Já tinha estado envolvido em perseguições contra sua pessoa, mas desta vez as coisas pareciam muito maiores do que o usual.

Quem diria que haveria alguém corrupto dentro da PF? Quem diria que ele estaria sendo monitorado?

E aquela... Monstruosidade?!? Genética? Transgênicos? Demônio? Possessão? Porque um corpo tão jovem de alguém nascido em 1916? Seria dele a certidão de nascimento? Porque o outro jovem ficou alterado e atacou seu irmão? Qual papel teria a MRV e as FARC?

Almeida jogou o cigarro do parapeito. Era necessário fazer alguma coisa rapidamente. Almeida estava com medo por fotos do sítio dos seus pais terem aparecido entre as fotos encontradas na casa de Giovanni.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Quem é Xandú?, parte 3

Contudo foi o próprio Almeida quem causou alteração de planos. Como seu ferimento não recebera cuidados, ele estava perdendo sangue rapidamente. Era necessária uma ação imediata.

Rodolfo e Torão perceberam que o duto do ar-condicionado dava exatamente na sala de enfermaria e iniciaram o processo de retirada da grade. Rodolfo tentou escalar, mas nao teve sucesso. Torão foi em seguida, com sucesso, e desligou o ar-condicionado além de conseguir uma saída daquele lugar horrível. Finalmente...

Enquanto aguardava uma solução Almeida descobriu uma certidão de nascimento de 1916 e documentos em espanhol, que ele não conseguiu ler, mas o que mais intrigou os agentes foi uma foto antiga da casa de Torão... A mochila de Almeida voltou cheia e a cabeça mais ainda.

Saíram do subterrâneo e foram imediatamente para a PF, não encontraram sinais do garoto. Ligaram para o celular de Almeida, que estava com o garoto, mas estava fora de área.

Rodolfo então ligou para o delegado Chico Maia e pediu reforços. O sangramento de Almeida fora estancado, mas ele ainda corria risco de morte.

O helicóptero da PF chegou rápido e levou Almeida.

Posteriormente ele ficou sabendo que o irmão do garoto havia atacado o mesmo e que havia atacado também o delegado Chico Maia, mas haviam conseguido matar o menino.

Rodolfo e Torão foram visitar Almeida no Hospital dentro da PF. Almeida pediu para que Rodolfo tentasse invadir o site da MBR.

A invasão foi um sucesso difícil, mas se provou proveitosa. Rodolfo iniciou a investigação sobre as conexões das FARC, MBR e o que mais fosse, quando um hacker começou a tentar invadir o computador de Rodolfo. Por competência Rodolfo foi melhor. Conseguiu descobrir onde estava o invasor: dentro do prédio da PF.

Torão e Rodolfo foram correndo enquanto Almeida chegou de elevador. A sala de computadores era no final do corredor. Aproximaram-se na surdina, conseguiram pegar o policial de surpresa, mas ele reagiu e Almeida o abateu. Chamaram o serviço médico, mas o hacker morreu.

Almeida ficou chocado em saber que era um policial federal, embora não fosse da divisão de Chico Maia.

Foram até o apartamento do policial federal morto, que morava no Mangabeiras.

Encontraram lá sinais de vigilância de todos os membros do grupo, além de outras pessoas, desconhecidas para eles, com fotos e endereços.
Acharam ainda a monitoração de contas numeradas.

A última ligação do telefone do policial abatido, dava para um sinal de celular na Savassi.

E uma das casas que mais recebia ligações era no Santa Amélia.

Mais investigações eram urgentes.

Quem é Xandú?, parte 2

Um túnel chamou a atenção deles e logo ao seu uma boneca de plástico no chão. Imediatamente recordaram-se da história que o delegado havia contado-lhes:

"Eles suspeitam que o Xandú esteja em posse de uma criança, filha de um empresário..."

Isso tocou o coração do policial de meia-idade. Era crucial encontrar esta criança. Enchendo-se de coragem disse:

"Alguém precisa liderar o grupo. Que tal você Rodolfo?" disse olhando para seu colega. Apesar de Almeida ser policial há mais tempo que os dois, Rodolfo era policial federal há mais tempo, o que para o ex-policial civil significava muito.

Entraram no túnel com Rodolfo em primeiro, Almeida em segundo e Uashinton em terceiro. O túnel era uma obra de engenharia rudimentar com utilização extrema das linhas naturais, possuía linhas tortuosas e um metro e meio de altura.




Caminhando por ele a sensação de aperto e calor traziam vertigem, Rodolfo sentiu isso. Sua face se tornou pálida e suas ações ficaram lentas. Almeida meteu a mão na sua cara, para ele o descontrole de Rodolfo era um raro momento de fraqueza no policial federal, por quem o primeiro tinha a maior consideração. Rodolfo voltou a si.

De repente um som de sirene foi ouvido. Seguido de outro... O significado era claro: detonação.




"CORRE! VAI! VAI!" Foi rápido o suficiente para chegarem até as últimas duas portas que não haviam aberto da última vez que estiveram aqui. O túnel por onde havia passado estava desmoronado e a sua frente grandes blocos de pedra impediam a progressão. Estavam presos ao lado de duas portas e a poeira abaixava lentamente, foram minutos de tensão.



Olhando pela fechadura viram que a porta da esquerda dava para uma sala-biblioteca e a da direita para uma sala de enfermaria. Resolveram abrir a sala da direita.

Quatro corpos encontravam-se deitados em macas metálicas. O ar-condicionado ainda estava ativo, o que fazia o ar difícil de respirar, já que a poeira ainda se fazia presente.

A falta de conhecimento em medicina dificultou o diagnóstico de vida ou morte dos quatro corpos. Aparentemente estavam vivos, mas em um estado cataléptico.

Procuraram no ambulatório e não encontraram nada de importante. Apenas uma sala de medicamentos.

Resolveram investigar a outra porta e descobriram que estava trancada. Rodolfo se adiantou começou a abrir a porta, enquanto Torão já se posicionava para invadir. Almeida sorriu apesar da tensão, ele sabia que ia gostar desse cara.

A porta foi destrancada e não havia ninguém dentro da sala. Foi Torão quem chamou a atenção para o teto, ele caiu em cima de Almeida e a luta foi feroz. Apontando seu maçarico em um arco, ele só a feriu. Isso não foi o suficiente e a criatura penetrou suas garras acima das clavículas de Almeida.

Pânico mais uma vez tomou conta de Almeida.

Era uma questão de sobrevivência e utilizando o maçarico na criatura, ele conseguiu feri-la ainda mais. Rodolfo e Torão foram fundamentais, para sacramentar a morte da criatura.

Um corpo de um jovem de meia idade estava parado, com várias perfurações no corpo, onde estaria Xandu? O corpo possuía perfurações e queimaduras semelhantes aquelas afligidas a Xandu... Seria este o monstro Xandu? Como?

Uma mesa de madeira com vários riscos quebrava a amplidao da sala. Riscos escritos um em cima do outro, como se o dono dessa sala estivesse estudando isso a anos. Almeida sentiu as peças dessa cena do crime, tudo se movia a sua frente como partes flutuantes:

  • A data de nascimento de 1916.
  • O corpo do jovem perfurados por balas
  • Os escritos em espanhol
  • Os latinos da MBR
  • As FARC
  • A demolição
  • A MBR
  • A foto da casa de Torão

Uma mesa de madeira com vários riscos quebrava a amplidão da sala. Riscos feitos um sobre o outro... bizarro!

A peças se encaixavam em parte... Provavelmente Xandu fora trazido pelas FARC para proteger o local ou trabalhar para eles, mas o que ele estava estudando ainda não estava claro, nem a sua data de nascimento ou o que ele era... Seria algum tipo de maldição? Doença?

Foi retirado do torpor pela voz de Rodolfo. "Vamos"

Almeida estava muito ferido, Torão e Rodolfo quase sem munição. Era necessária cautela. Ruídos no corredor fizeram os policiais fecharem a porta e aguardar. Na escuridão que se abatera, pela queima da lâmpada deste cômodo, os óculos da visão noturna foram ligados. Aparentemente era um dos pacientes da outra sala, uma criança.



A criança informou que havia sido capturada há muito tempo quando haviam vindo para cuidar do jardim. Como estavam presos, tiveram a idéia de pedir ao garoto para buscar ajuda, passando pelos blocos de pedra que estavam no caminho. Almeida ainda deu o seu celular para o garoto, para que ele pudesse ligar, assim que possível.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Quem é Xandú?

Por causa da mordida, Almeida foi colocado em quarentena. Ao acordar do trauma do seu encontro com a criatura, o seu olfato estava várias vezes aumentado. Ele sentiu um pão de queijo sendo feito oito andares acima do que se encontrava.

Almeida recebeu informações de Rodolfo sobre o desaparecimento de três agentes, que também haviam sido mordidos. Aparentemente os agentes sofreram algum tipo de influencia da "doença" causada pela mordida. A quarentena fazia-se necessária. Contudo, Almeida ainda sentia insatisfeito, não mais pelo garoto morto, mas pelos agentes mortos na operação de assalto realizada pela PF logo depois ele terem abandonado a mansão do Jardim Canadá. Oito agentes morreram na operação. Oito policiais honestos. Almeida sempre rolava na cama, todas as vezes que pensava nisso, como se quisesse olhar para o mesmo lugar e este trouxesse a ele outra lembrança. Mas essa lembrança nunca vinha não vinha. Várias e várias vezes a imagem do delegado informando a ele o resultado da operação repetia na cabeça dele.

Decidiu procurar Xandú enquanto ainda tinha o olfato aguçado, no que acreditava ser efeito colateral da medicação.

Almeida pediu ao delegado Chico Maia à liberação da quarentena para achar Xandú, porque a cada momento a chance de encontrá-lo diminuía.

O delegado ainda informou Almeida e aos outros sobre o risco de fechar o departamento de investigação de crimes atípicos. A falta de prisões e apreensões causava um desgaste desnecessários ao departamento.
Infelizmente, o fechamento do departamento não era a único dos problemas. O agente Rodolfo recebeu voz de prisão assim que saiu da sua quarentena. Aparentemente Almeida havia causado o transtorno ao falar a verdade sobre como haviam conseguido as informações.

Rodolfo foi repreendido duramente.

"Desculpe senhor, não vai acontece mais." os olhos abaixados de Rodolfo simbolizavam a total fragilidade naquele momento. Algemado, destituído da sua condição policial, procurava uma forma de se retratar. Almeida ficou satisfeito ao ver que a PF tratava assim aqueles que feriam a lei, por mais que aquilo fosse contra seu amigo.

Com o apoio do delegado Chico Maia e a necessidade de evoluírem em alguma investigação, foram apresentados a um novo membro da equipe: Uashinton "Torão". De constituição física avantajada, medindo pouco mais de 1,85 era um verdadeiro armário de Imbuia, com as portas abertas. O corte de cabelo militar e a frase com a qual respondeu ao chefe "Sim senhor delegado" fizeram Almeida gostar dele, quase de imediato.

"Vocês devem se preparar muito bem. A nossa última equipe foi dizimada." disse o delegado olhando fixamente para os três. Momentos depois eles mais se assemelhavam a personagens de Counter-Strike.

Querendo evitar que os donos da mansão soubessem da aproximação do grupo de assalto, os PF resolveram avançar pela MBR, provavelmente seria mais fácil...

Foram recepcionados na MBR por quatro homens fortemente armados com sotaque espanhol-americano. Almeida já ouvira falar que as FARC eram a milícia contratada para defender ALGUMAS EMPRESAS, mas não sabia que a MBR era uma delas. Este mundo decadente... Segurando M16 e com coletes de kevlar os milicianos perguntaram a intenção dos três, que responderam nada querer com eles... Só com certa casa no morro...

A necessidade de negociar com aqueles meliantes aliviaram ligeiramente Almeida.

Foram levados dentro de um supercaminhão caçamba da empresa. Almeida sentiu-se desconfortável com aquela situação. Além de humilhante era perigoso, mas tinha que ser feito.

O caminhão caçamba parou. Foram eternos os segundos em que Almeida e seus companheiros permaneceram dentro da caçamba. Com cinco metros de altura, poderiam ser facilmente enterrados ali, em instantes. Mas aparentemente este não estava no plano deles. Um barulho de metal contra a caçamba interrompeu os momentos de tensão, sendo ilustrada por uma escada para sair daquela situação.

O motorista do caminhão instrui aos policiais que iria aguardá-los. Maldito orgulho, mais humildade talvez os levasse a entender o que estava por trás daquilo tudo...

Mudando de cenário a mata que cobria esta parte do morro, destacava a elegante mansão de paredes amareladas.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Crime na Pampulha, 4

Almeida ficou torporoso com o que via, foi acordado para a realidade, pelos repetidos gritos de Rodolfo.




Os corpos espalhados no chão, começaram a se levantar. Almeida e Rodolfo atiravam nos corpos, que avançavam lentamente, mas eles continuavam a levantar.


"Vãobora, vãobora..." apesar da compulsão de Almeida em descobrir quem estava por trás daquilo tudo, recuou.



Almeida e Rodolfo então começaram a recuar rapidamente e tentaram de forma desesperada abrir a porta. Os corpos continuavam vindo, enquanto Almeida trocava rapidamente seus pentes, Rodolfo tentava abrir a porta...


Na hora certa...


A corrida escada acima foi dificultada pelo terror dos gritos vindos da porta, onde estava o policial federal que ficou para trás para defender a posição. Cançados, os dois tentavam correr ainda mais rápido... Ao chegarem, encontraram o policial federal morto.


Correram pela sala de estar.
Em um momento, Almeida lembra-se de estar correndo pela sala e no outro, tudo que ele se lembra é de um rosnado e um vulto negro.

Olhando para cima, viu uma fera bestial, feita de sombras... era como se ele tivesse sido drogado e perdido a noção da realidade. O coração de Almeida se degladiava em seu peito, como que querendo sair, fugir dali e não testemunhar mais nada daquilo... Medo. Pânico!


Ela rugia logo a sua frente. Olhos amarelos pontuavam a escuridão a sua volta. Almeida sacou suas pistolas e atirou, achando que isto seria suficiente para afastar a criatura. Ela mordeu o seu ombro e ele soube que era uma questão simples de sobrevivência.
Almeida apertou o gatilho até o fim. Suas gêmeas gritaram pedindo clemência imediata... Os tiros de Rodolfo também foram fundamentais.
A criatura sumiu, deixando somente a dor que a mordida causara. Almeida saiu cambaleando.
No teto, as marcas de bala pontuavam um mosaico aleatório, como estrelas no céu. Aquela criatura não era normal.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Crime na Pampulha, 3

Informações haviam sido repassadas pelo Delegado da PF que o Xandu estava sendo investigado por outros crimes, dentre os mais importantes estava o sequestro de uma garota, filha de um figurão importante... Havia, inclusive, uma campana da PF no local.




Rodolfo e Almeida resolveram visitar o local e colher informações...


A mansão estava no Jardim Canadá. Chegamos por volta da 3h do dia 1°. Segundo os policiais de campana, Xandu estava dando uma festa para 12 pesssoas, entre elas dois dos policiais mais corruptos que Almeida conhecia, da DP onde trabalhava.


"Então eles estão todos ai dentro??" perguntou Almeida ao PF de campana.

"Sim. Desde umas 23h... Estavam na parte de trás da casa...". O policial disse isso de forma objetiva, sem retirar os olhos da câmera fotográfica que havia sido colocada em um morro próximo a mansão. Utilizando a mata próxima, os policiais haviam montado uma operação de vigilância avançada.


"Eles têm câmera de segurança?" perguntou Almeida apontando para a mansão.


"E seguranças." respondeu o PF


"hmm... Acho que eu posso entrar no sistema deles. Vamos ver." disse Rodolfo já abrindo seu Smartphone.


Clica daqui, suspira dali...


"Pronto. Vamos ver."


Rodolfo acabou descobrindo que o controle dos seguranças se dava por meio de mensagens e mandou que todos ficassem atrás da mansão abrindo o portão principal.
Estavam prontos para invadir e os colegas federais ainda dariam um apoio.
Os muros da mansão eram altos, com cerca elétrica e luzes espalhadas em locais estratégicas.


Almeida entrou, seguido por Rodolfo e dois PFs, logo após o próprio Rodolfo hackear o sistema de segurança da casa e certificar-se que os seguranças teriam ido para trás da casa. A entrada foi padronizada e um sucesso. Almeida tinha o coração acelerado, mas não por nervosismo, mas pela alegria que trabalhar com a PF lhe causava.


Uma rápida olhada pela casa, mostrou que não havia ninguém disponível. Onde estariam?


"Rodolfo, o mapa da casa está disponível online?" perguntou Almeida.


"Vamos ver... Pronto!" O mapa mostrava uma passagem, que não mostrava além.


"Vamos investigar" Disse Almeida puxando a fila, segurando as gêmeas.




O interior da casa era compatível com o alto luxo esperado pela sua localização. Observava-se quadros finos, mobiliário caro e tapetes elegantes.


A porta ficava atrás de um armário. Os homens facilmente penetraram pela porta e um deles ficou para trás, defendendo a posição.

Um frio maldito, que ultrapassava o sentido simples da temperatura baixa, tirando também o calor do coração do homem. Figuras rupestres de estilo grego, em tinta branca, davam a parede de pedra negra uma existência ainda mais fúnebre.

Chegando até a parte mais baixa da escadaria, a sensação de frio só aumentara. As lanternas elétricas iluminavam um ponto único e a sensação que passavam era de inutilidade.

Um vulto negro foi percebido pela visão periférica.

Almeida sentia-se tenso, mas feliz, a morte daquele drogado podia não ser em vão se ele achasse o causador disso tudo, ele sempre acreditava que poderia haver esperança. Sempre.

O corredor dava em uma sala ampla, com uma enorme porta de metal. Rodolfo retirou pequenas ferramentas de seu bolso e comecou a mexer nelas. O cara era bom...




Click




A porta estava aberta.

A névoa fria, que cobria o piso, saiu da sala para qual dá acesso a porta. Parecia fugir das atrocidades que presenciara...

Naquele momento o instinto de sobrevivência foi mais forte. O coração já acelerado dizia que algo estava muito errado

No chão, vários corpos. Corpos secos, pálidos, retorcidos e com a face demonstrando a dor do último segundo de existência...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Crime na Pampulha, 2



Olhando em volta viram o outro, se afastando rumo ao estacionamento. Iniciaram a perseguição. Vendo que o miliante não iria parar, Fulano e Almeida iniciaram a corrida entre carros no estacionamento, ao mesmo tempo em que gritavam serem da policia e para que o miliante parasse.
O traficantizinho, ainda pulou o muro e entrou no matagal atrás da mansão.

Pulando o muro Almeida gritou:
"para filho da puta ... Para..."





Como ele nao parou...atiraram... Pena.

Aproximando-se do corpo caído, constataram que ele estava morto.

"Merda..."

"e agora? Merda... Relatorios..."

"fulano, as coisa não funcionam assim aqui..."

Revistando-o encontraram DUAS mochilas.

"Estranho. Havia so uma." disse Almeida.

"Vamos ver o que tem dentro."

Encontraram duas pistolas, drogas, e na outra mochila, dinheiro a beça... E um celular!

"Opa! Olha isso aqui!"

"me dá isso aqui!" disse Fulano extendendo a mão.

Almeida olhou desconfiado. Era difícil confiar em outros policiais após tantos anos de PC, mas fulano era da PF. Era diferente. A PF sempre fora algo que Almeida almejara. Sua força incólume era um exemplo. Foram varios os concursos, mas como Almeida nao era nenhum gênio, ainda estava do lado de fora. Mas aquele era um dos seus maiores sonhos.

"Ok"

Era inegavel a agvilidade de Fulano com os botoes daquele celular. Parecia a vontade...

Foi quando o telefone tocou: "casa"

"Vamos atender" disse Almeida de forma impensada.

Olhando fixamente para o celular, Rodolfo interveio: "Nao! Deixa eu ver..."

Retirando do bolso um smartphone modificado por ele mesmo, como Almeida viria a descobrir, iniciou uma digitação rápida, seguida p pausas de apreciação e reconhecimento. No final, um suspiro encerrou a procura.

"Este telefone é públic. Está próximo do anel e Catalão."

"Vamos embora"

"E seu colega?"

"Ele sabe se virar. Vamos no meu carro ou no seu?" interrogou Almeida virando-se em direção ao muro, seguindo seu colega."

"No meu..." a resposta fora seguida de um ligeiro sorriso. O carro de Rodolfo, como ja sabia Almeida, era um Honda Civic Si com um motor envenenado e turbo, pelos seus càlculos deveria chegar facilmente aos 250cv, o que era muito.

O Honda passou assoviando pela Catalão,e fazendo a conversão proibida logo após o Shopping.

Aparentemente o telefone público encontrava-se vazio, com algumas pessoas que voltavam a pé da Lagoa.

Ligando do celular para o telefone público, logo um rapaz de cor negroide, com características físicas avantajadas e um gosto para cortes de cabelo duvidoso. Trajando bermuda de algodão cinza e uma blusa de malha que deixava a mostra a arma em sua cintura.

O pegar no telefone coincidiu com o freiar do Honda que parou de forma obliqua a linha do passeio.

"Levanta a mão filho da puta"

Na tensão que se passou, de dois contra um... A lógica matemática venceu.

"Perdeu chegado. Fica na boa se nao é caixa"

“O que aconteceu com seu colega lá na festa?”

“Não ‘tou sabendo de nada” disse o suspeito, que a essa tinha sido deitado no chão, de bruços e algemado.
Almeida colocou Raphaella entre as pernas do sujeito e disse: “Quem está por trás desse negócio todo?!?”

“Não tenho a mínima idéia...”

Um tiro foi ouvido. Almeida havia apontado a arma para fora do campo de ameaça do sujeito, evitando que a bala o atingisse, mas não evitando que o rapaz ficasse mais... colaborativo.

“Tem um cara... um policial da civil: Adriano. Ele está por dentro... e tem também um cara... que mora próximo de Nova Lima”

“Beleza chefe... agora é só eu te deixar na DP que a gente fica livre...”

Almeida tinha a plena convicção que aquilo era mais um caso de drogas, as famigeradas drogas, que tanto incomodavam ao mundo. Almeida via tudo isso como um problema a ser resolvido rapidamente, de investigações para outro setor e encerramento do caso, por falta de provas. Sempre era assim quando havia outro policial envolvido. Mas não foi isto o que ocorreu.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Almeida

O vento frio movimentava o cheiro podre da lagoa. O forte odor não era proveniente do corpo na margem, mas do material em decomposição, e era exacerbado, provavelmente, pelo calor que fazia nesta noite de janeiro. Os pernilongos disputavam arduamente o espaço próximo as partes do corpo descobertas. Almeida dava tapas esporádicos no pescoço. Seu inconfundível estilo de roupa com sua inseparável jaqueta de couro-falso e a calça jeans surrada, deixavam poucos espaços descobertos. Somente seu rosto moreno claro, sua barba bem feita e seu cenho constantemente franzido, sua calvície frontal, apesar de ser uma grande área exposta, não era o território favorito dos hematófagos, por ser além dos 1,85 metros da sua altura.
A blusa de malha branca para fora da calça completava o visual de forma despojada e despretensiosa. Gotas de suor desciam no seu rosto, o era aumentado pela jaqueta de qualidade inferior, utilizada para esconder Isabella dos olhares curiosos.



Na avenida próxima a cena do crime dois carros da Polícia Militar aguardavam a chegada do rabecão para recolhimento do corpo. As sirenes ligadas iluminavam padronizadamente todo o entorno, enquanto o a cena do crie em si era iluminada pelos faróis das viaturas. Quatro policiais conversavam calmamente próximo a uma delas.
Andando em direção a margem da lagoa Almeida meteu a mão no bolso interno esquerdo e tirou um maço de Carlton. Batendo o mesmo na mão esquerda tirou apenas um e levou-o a boca.
O isqueiro foi aceso rápido, ao parar e antepor a mão, interrompendo o vento com sucesso. Tragou fundo, acendeu o cigarro, olhou o corpo e pensou: 'Merda de trabalho'.

O corpo estava de bruços, vestindo uma calça "três-quartos"preta e com uma camiseta vermelha com a cabeça na parte mais funda da margem, fazendo com que ficasse parcialmente dentro da lagoa.

"Detetive Almeida! E aí, o que manda? " Saindo das proximidades da cena do crime um sargento da polícia militar, já conhecido pela sua ética duvidosa. Trajando uma farda for a dos padrões exigidos na academia, com uma protuberante barriga, face Cushingóide com características orientais.
"Que 'c qué, sargento Maércio?"
"Eu? Nada não chefia, só cuidando para que o local do crime seja preservado o máximo possível." As botas enlameadas do sargento diziam o contrário.
"E o que me diz das marcas de pegada por toda a cena do crime, sargento?"
Colocando a mão da cintura e no final de um suspiro, respondeu: "deve ter sido suicídio detetive. Todos sabemos que a criminalidade daqui tem que permanecer baixa, sabe como é não? Ainda é um cartão postal"
Almeida agachou perto do corpo, ligando e segurando a lanterna com a mão esquerda, virou o corpo com a mão contrária. Cortes profundos e paralelos de aproximadamente 15 cm de comprimento e 4 cm de largura, marcavam a face anterior da região cervical da vítima. A traquéia havia sido dilacerada assim como as artérias carótidas. Pela rigidez do corpo e pelos livores cadavéricos, era possível inferir que o óbito ocorrera há pelo menos 4 horas, o que daria próximo de uma hora da manhã.

"Isto é suicídio?" Perguntou Almeida, jogando o foco de luz na cara do sargento. Ele deu de ombros e virou de costas.
"O problema AGORA é seu".

'Não… o problema sempre foi meu. ' pensou, apagando o cigarro. 'Como eu vim parar aqui?'
'Minha família sempre foi simples. Morávamos no interior de Minas, a 50 km da capital, na cidade de Esmeraldas. Meu pai tinha um sítio lá, ao contrário do que muitos pensam, foi lá que eu comecei a atirar. De longe buscava qualquer criatura com minha espingarda. Ganhei-a quando completei doze anos. Meus quatro irmãos e eu, filho do meio, fomos educados no melhor estilo da família mineira. Minha mãe preparava o melhor bolo de fubá com café no seu fogão a lenha. A noite, como não tínhamos televisão, meu pai reunia conosco na sala e ouvia o rádio. Comentava a cada notícia sempre dando um tom de correção e a importância da honestidade. Sinceramente não sei quando tive a vontade me tornar um policial, talvez porque sempre brinquei de mocinho e bandido, e por ser mais novo, meus irmãos sempre me faziam ser o bandido, sei lá! Ao ver aquele corpo pensei na minha irmã, sempre era assim, quando via um corpo sempre via alguém da família, isso sempre me forçava a me esforçar em busca do meu melhor. Minha família sempre me ensinou que todos podem fazer a diferença algum dia.'
'Na Acadepol me destaquei. Enquanto os colegas se chafurdavam nos pequenos poderes recém adquiridos com a carteira de policial, eu passava as noites em claro estudando. Nunca fui inteligente, mas sempre fui esforçado. Isso me gerou alguns problemas, porque fui selecionado para ser da Tropa de Operações Especiais, isso sempre acontecia com os dez primeiros, e eu, fui um deles.'


'O Problema é que a corrupção imperava no núcleo da polícia. Os aspirantes eram corruptos, cada um representando uma facção de poder não-estatal da sociedade, a tropa de elite era corrupta e por fim a corregedoria também.'
'Foi me dado duas opções: Obedecer cegamente, ganhar o meu e entrar na Elite OU sofrer as consequências.'
'Naquela época eu acreditava no sistema.'
'A transferência para Januária não foi de todo ruim. Gosto de acreditar que a cidade melhorou muito, quem piorou fui eu. Depois de ver que não adiantava prender, investigar e preencher papel, comecei a… resolver eu mesmo. Foi em Januária que eu conheci as minhas duas paixões: Raphaella e Marcela.






Raphaella e Marcela

'Os marginais sempre confundem as duas, mas as gêmeas tem alguns detalhes que as diferenciam, principalmente o comportamento. Fernanda está sempre disposta a falar, já Raphaella é mais introspectiva e certeira. Algumas pessoas vivem dizendo que elas são de uso exclusivo das forças armadas, mas tudo bem, eu uso a jaqueta justamente por isso.'
'Como dizia, não resolvi todos os problemas de Januária, mas dei uma melhorada geral. Pelo menos todos os marginais que eu conhecia tem atestado de óbito agora.'
'Depois de nove anos em Januária consegui voltar para perto de meus pais, infelizmente o único lugar que tinha vaga era na capital, portanto aqui estou há cinco anos. Cumprindo meu dever, como jurei durante a academia, por mais que isso incomode meus colegas de trabalho. As vezes eu tenho que resolver as coisas por mim mesmo, já fui baleado duas vezes, mas é como se alguém me protegesse'
Na cena do crime, começou a chover torrencialmente.



Pegadas feitas por um tênis saiam do corpo em direção norte, margeando a lagoa. Almeida resolveu seguir, as pegadas até onde ela fossem. Segurando Raphaella na mão direita e a laterna na esquerda, Almeida andou por aproximadamente três minutos, até se aproximar de um matagal próximo ao córrego que sai na vizinhança da Toca da Raposa.
A vela acesa não deixava dúvidas que era mais um drogado de merda. Os macumbeiros haviam abandonado a região fazia tempo. Sua mão tremula tentava derreter a pedra de crack, preparando para injetar.
Sua concentração e vício era tão grande que ele nem sequer viu o Almeida se aproximar.

"Boa noite, sr. monte-de-merda, posso saber qual a sua participação no servicinho ali atrás?"
“Fala patrão. Quer um trago?”
“Pega esse seu isqueiro e enfia no rabo, monte-de-merda! Te fiz uma pergunta!”
“Calma chefia! Já vamos resolver os pobrêmas todos! A menina pediu por aquilo... Ademais eu sou filho de deputado e ninguém vai me fazer mal, principalmente civil... Tou certo?”

Almeida retirou Raphaella e Marcela , sabia que elas tinham muito o que falar.

“Opa! Já saquei, já saquei... Grana NE?!!? Toma... só tenho R$5000,00. “

Num movimento rápido e fluido, Almeida colocou cada um dos canos na tangente e próximo aos ouvidos do drogado, disparou duas vezes. Propositadamente mirando para além do mesmo, não querendo feri-lo, mas somente deixá-lo surdo, por um bom tempo.

“OPA! Neném mijou nas calças foi?!”

“Seu puto! Você vai ver...”

E foi aí que o drogado errou... já se preparava para retirar as algemas e levar o porcaria preso, mas foi surpreendido pelo largar do cachimbo ao chão e o sacar de uma arma. O tiro mirado em Almeida pegou em sua perna, mas foi o suficiente para que as duas irmãs berrassem em uníssono.

Ao longe, tudo que se viu foram os flashes da pólvora queimando e o estampido de um corpo caindo ao chão.

Naquela noite, mais um corpo foi jogado na Pampulha...

Crime na Pampulha







O local é Belo Horizonte.




O tempo é o final de 2007.




Em um universo paralelo onde a corrupção espiritual e o crime são comuns, a nossa historia tem tempo e espaço.











Fim de ano. Como era de esperar Almeida iria ficar de plantão na delegacia do caiçara. Junto com ele estavam Juvenal e Renato. Juvenal era um negróide de meia idade, ligeiramente acima do peso, que já tinha sofrido três atentados contra sua vida, todos por colegas de profissão, fruto das inúmeras denuncias anônimas. Renato era um caucasiano com seus 23 anos, recém formado que, ainda, acreditava no sistema.
Era sempre a mesma turma quem ficava de plantão, Renato amargava sua segunda vez. Era bom ele se acostumar.

Por volta das 23h a agitação já começava a tomar conta da Catalão. O transito começava a ficar lento pelo grande numero de veículos que iriam levar os felizardos, a assistirem o lindo show de fogos da Pampulha. Era uma das maiores festas populares de BH.

Almeida via tudo aquilo da janela do segundo andar, da estreita delegacia e suspirava lentamente. Abriu como se fosse um ritual Zen o maço de cigarro. Cheirou o maço, em uma inspirada profunda. Retirou o lacre. Retirou a parte de cima do plástico. Bateu o maço contra o indicador. Pegou o cigarro mais a esquerda. Cheirou. Colocou na boca e o acendeu.
O telefone não parava de tocar. O café só não era pior que o tiro que tomara e que lhe rendera uma fratura exposta. Pensava no tédio pelas horas a fio a serem cumpridas. Suspirara de novo. Mandou Renato tirar o ultimo telefone do gancho. Agora só o grito arritmico dos presos dava a lembrança de estarem em uma delegacia.

A angustia começava a ser um inseto sem limite. Olhou para Juvenal, que com os pés sobre a mesa, asssistia ao show de Ivete Sangalo com a mão dentro da calca. E Renato que lia o jornal Aqui pela terceira vez.

"Renato! 'Bora dar uma volta" disse retirando a jaqueta de couro da cadeira de madeira e jogando-a sobre o corpo. "você segura as pontas ai Juvenal?"

"Beleza, beleza." respondeu Renato ainda com os olhos fixos na TV de 14' do distrito.

Andar pela Catalão foi fácil. Com a sirene ligada e alguns tapas na porta do lado de fora, as pessoas lentamente iam abrindo passagem. Avançavam lenta, mas constantemente em direção a Otacílio Negrão de Lima.

Almeida acendia outro cigarro. O ar frio da Pampulha o inspirava. Um agente da BHTRANS controlava o transito, da forma usual: descontrolada.

Várias festas eclodiam na Pampulha ao mesmo tempo. Drogas sintéticas, injetáveis, inaláveis e bebidas aconteciam de forma indiscriminada. Era inviável cuidar de todos os lugares, mesmo porque a polícia era conivente com a maioria delas. O que Almeida fazia era trabalhar por amostragem, chegando a um lugar e explorando-o ao máximo.
O barulho ritmado e intenso do Techno das mansões invadia a Avenida, contrastando com a balbúrdia desconexa das milhares de pessoas que disputavam espaço com a viatura em que Almeida se encontrava.

Almeida olhava com olhos investigativos toda a cena, procurando sinais de problema. Acendendo um cigarro no outro, algo lhe chamou a atenção. Com a visão periférica algo, dentro de uma das festas das mansões estava lhe fitando.

A mansão tinha uma espécie de Mezanino. Uma plataforma de madeira deixava alguns convidados acima do nível do muro, facilitando a visualização dos mesmos ao nível da rua.

Almeida pediu que Renato parasse o carro.

"Eu conheço aquele cara..."



Sentado no meio de camisas regatas, pólos e malhas um homem de meia idade se destacava pela paletó cinza claro combinando com a calça.

Almeida fez um leve movimento com a cabeça. Rodolfo fez o mesmo. Fazia alguns anos que eles se conheciam, mas só recentemente eles haviam se aproximado um do outro. Rodolfo era um policial federal do Departamento de Crimes Cibernéticos. Sua honestidade fazia parte da média da polícia federal, ou seja, estava bem acima da polícia civil. Rodolfo sempre fora uma pessoa suficientemente simpática e com limites bem claros para alguns tipos de envolvimento pessoal. Almeida já se acostumara com isso, haviam poucos policiais civis honestos (talvez os que estavam de plantão esta noite) e os policiais federais tinham poucos desonestos entre os seus (provavelmente os que estavam de plantão esta noite). Era assim que Almeida entendia a sua relação com seus colegas da outra Polícia, como vergonhosa e embaraçosa para si.

Almeida e Renato iniciaram uma caminhada decidida em direção a portaria da mansão. Inicialmente os leões de chacará não haviam deixado a dupla passar, mas ao descobrirem que eram policiais civis, deixaram que passassem. Mais vergonha para Almeida, mais uma vez...

“E aí Rodolfo?” Disse acendendo o cigarro no enfeite de mesa central. “Curtindo a noite?”
“Aproveitando o ano novo...” disse olhando para o lado.
“Este é Renato.” Disse soltando fumaça no ar. “Ele é de confiança”
“Hm hum.” Disse Rodolfo com ar de pouca crença.
“Como vai?”
“Tranquilo?” meras formalidades na forma de palavras vazias, foram emitidas por ambos os lados. No final, o empate foi um bom resultado.

“A festinha está animada aqui hoje, hein?!” Disse Almeida acabando de contemplar o ambiente.

“Verdade.” Algo no olhar de Rodolfo, contudo, mostrava que suas palavras não diziam tudo. Seu olhar estava fixo, como o de um falcão que almeja cruzar, mas não quer demonstrar isto para sua presa. Um olhar tímido, mas treinado.

Um olhar de detetive. Um olhar de trabalho? Algo lhe preocupou...

“De plantão hoje, Rodolfo?”

“Eu? Não... acompanhando um amigo.” Desmentiu, girando os gelos dentro do copo.

Aliviado, Almeida acompanhou aquele olhar. Como que navegando íris adentro de seu colega, interpretou cada sinal, cada pessoa. A música alta que emitia freneticamente a batida embalando o seu público foi interrompida. Tudo era uma cena do crime e todos, criminosos.

Dois indivíduos chamaram a atenção. Ambos vestiam corriqueiras roupas de festa do reveillon. Um deles o mais franzino utilizava bermuda e blusa de linho branco, o outro utilizava calça jeans com uma camisa de algodão branco e larga, além de óculos escuros estilo aviador. Imediatamente, como era para ser, tudo voltou a seu ritmo, se movimento e seus sons.

“Sei...”

“10”... a contagem para a passagem de ano, de 2007 para 2008 começou.
“9”
“8”
Almeida tragou profunda e lentamente seu cigarro, apagando-o no cinzeiro a sua frente.
“6”
Meteu a mão por dentro da blusa, encontrando Raphaella e Marcela, cada um em seu canto, como que adormecidas, aguardando serem convocadas para ação.
“3”
“2”
Gritos de feliz ano novo se ouviram por todo o salão. Urros de alegrias, ao mesmo tempo em que os foguetes começavam a estourar no céu. Várias cores e a fumaça da queima já começava a atrapalhar ligeiramente a visão.









“Cadê ele?”Perguntou Almeida.

Havia desaparecido. Almeida e Rodolfo levantaram-se imediatamente e foram em direção a sua última posição.

Encontraram o corpo, do calça jeans, aparentemente ofendido por algum pérfuro-cortante. A perfuração obviamente não era de arma de fogo ou faca.. era como se fosse uma lança ou algo assim...