O vento frio movimentava o cheiro podre da lagoa. O forte odor não era proveniente do corpo na margem, mas do material em decomposição, e era exacerbado, provavelmente, pelo calor que fazia nesta noite de janeiro. Os pernilongos disputavam arduamente o espaço próximo as partes do corpo descobertas. Almeida dava tapas esporádicos no pescoço. Seu inconfundível estilo de roupa com sua inseparável jaqueta de couro-falso e a calça jeans surrada, deixavam poucos espaços descobertos. Somente seu rosto moreno claro, sua barba bem feita e seu cenho constantemente franzido, sua calvície frontal, apesar de ser uma grande área exposta, não era o território favorito dos hematófagos, por ser além dos 1,85 metros da sua altura.
A blusa de malha branca para fora da calça completava o visual de forma despojada e despretensiosa. Gotas de suor desciam no seu rosto, o era aumentado pela jaqueta de qualidade inferior, utilizada para esconder Isabella dos olhares curiosos.
A blusa de malha branca para fora da calça completava o visual de forma despojada e despretensiosa. Gotas de suor desciam no seu rosto, o era aumentado pela jaqueta de qualidade inferior, utilizada para esconder Isabella dos olhares curiosos.
Na avenida próxima a cena do crime dois carros da Polícia Militar aguardavam a chegada do rabecão para recolhimento do corpo. As sirenes ligadas iluminavam padronizadamente todo o entorno, enquanto o a cena do crie em si era iluminada pelos faróis das viaturas. Quatro policiais conversavam calmamente próximo a uma delas.
Andando em direção a margem da lagoa Almeida meteu a mão no bolso interno esquerdo e tirou um maço de Carlton. Batendo o mesmo na mão esquerda tirou apenas um e levou-o a boca.
O isqueiro foi aceso rápido, ao parar e antepor a mão, interrompendo o vento com sucesso. Tragou fundo, acendeu o cigarro, olhou o corpo e pensou: 'Merda de trabalho'.
Andando em direção a margem da lagoa Almeida meteu a mão no bolso interno esquerdo e tirou um maço de Carlton. Batendo o mesmo na mão esquerda tirou apenas um e levou-o a boca.
O isqueiro foi aceso rápido, ao parar e antepor a mão, interrompendo o vento com sucesso. Tragou fundo, acendeu o cigarro, olhou o corpo e pensou: 'Merda de trabalho'.
O corpo estava de bruços, vestindo uma calça "três-quartos"preta e com uma camiseta vermelha com a cabeça na parte mais funda da margem, fazendo com que ficasse parcialmente dentro da lagoa.
"Detetive Almeida! E aí, o que manda? " Saindo das proximidades da cena do crime um sargento da polícia militar, já conhecido pela sua ética duvidosa. Trajando uma farda for a dos padrões exigidos na academia, com uma protuberante barriga, face Cushingóide com características orientais.
"Que 'c qué, sargento Maércio?"
"Eu? Nada não chefia, só cuidando para que o local do crime seja preservado o máximo possível." As botas enlameadas do sargento diziam o contrário.
"E o que me diz das marcas de pegada por toda a cena do crime, sargento?"
Colocando a mão da cintura e no final de um suspiro, respondeu: "deve ter sido suicídio detetive. Todos sabemos que a criminalidade daqui tem que permanecer baixa, sabe como é não? Ainda é um cartão postal"
Almeida agachou perto do corpo, ligando e segurando a lanterna com a mão esquerda, virou o corpo com a mão contrária. Cortes profundos e paralelos de aproximadamente 15 cm de comprimento e 4 cm de largura, marcavam a face anterior da região cervical da vítima. A traquéia havia sido dilacerada assim como as artérias carótidas. Pela rigidez do corpo e pelos livores cadavéricos, era possível inferir que o óbito ocorrera há pelo menos 4 horas, o que daria próximo de uma hora da manhã.
"Detetive Almeida! E aí, o que manda? " Saindo das proximidades da cena do crime um sargento da polícia militar, já conhecido pela sua ética duvidosa. Trajando uma farda for a dos padrões exigidos na academia, com uma protuberante barriga, face Cushingóide com características orientais.
"Que 'c qué, sargento Maércio?"
"Eu? Nada não chefia, só cuidando para que o local do crime seja preservado o máximo possível." As botas enlameadas do sargento diziam o contrário.
"E o que me diz das marcas de pegada por toda a cena do crime, sargento?"
Colocando a mão da cintura e no final de um suspiro, respondeu: "deve ter sido suicídio detetive. Todos sabemos que a criminalidade daqui tem que permanecer baixa, sabe como é não? Ainda é um cartão postal"
Almeida agachou perto do corpo, ligando e segurando a lanterna com a mão esquerda, virou o corpo com a mão contrária. Cortes profundos e paralelos de aproximadamente 15 cm de comprimento e 4 cm de largura, marcavam a face anterior da região cervical da vítima. A traquéia havia sido dilacerada assim como as artérias carótidas. Pela rigidez do corpo e pelos livores cadavéricos, era possível inferir que o óbito ocorrera há pelo menos 4 horas, o que daria próximo de uma hora da manhã.
"Isto é suicídio?" Perguntou Almeida, jogando o foco de luz na cara do sargento. Ele deu de ombros e virou de costas.
"O problema AGORA é seu".
'Não… o problema sempre foi meu. ' pensou, apagando o cigarro. 'Como eu vim parar aqui?' 
'Minha família sempre foi simples. Morávamos no interior de Minas, a 50 km da capital, na cidade de Esmeraldas. Meu pai tinha um sítio lá, ao contrário do que muitos pensam, foi lá que eu comecei a atirar. De longe buscava qualquer criatura com minha espingarda. Ganhei-a quando completei doze anos. Meus quatro irmãos e eu, filho do meio, fomos educados no melhor estilo da família mineira. Minha mãe preparava o melhor bolo de fubá com café no seu fogão a lenha. A noite, como não tínhamos televisão, meu pai reunia conosco na sala e ouvia o rádio. Comentava a cada notícia sempre dando um tom de correção e a importância da honestidade. Sinceramente não sei quando tive a vontade me tornar um policial, talvez porque sempre brinquei de mocinho e bandido, e por ser mais novo, meus irmãos sempre me faziam ser o bandido, sei lá! Ao ver aquele corpo pensei na minha irmã, sempre era assim, quando via um corpo sempre via alguém da família, isso sempre me forçava a me esforçar em busca do meu melhor. Minha família sempre me ensinou que todos podem fazer a diferença algum dia.'
'Na Acadepol me destaquei. Enquanto os colegas se chafurdavam nos pequenos poderes recém adquiridos com a carteira de policial, eu passava as noites em claro estudando. Nunca fui inteligente, mas sempre fui esforçado. Isso me gerou alguns problemas, porque fui selecionado para ser da Tropa de Operações Especiais, isso sempre acontecia com os dez primeiros, e eu, fui um deles.'
'Minha família sempre foi simples. Morávamos no interior de Minas, a 50 km da capital, na cidade de Esmeraldas. Meu pai tinha um sítio lá, ao contrário do que muitos pensam, foi lá que eu comecei a atirar. De longe buscava qualquer criatura com minha espingarda. Ganhei-a quando completei doze anos. Meus quatro irmãos e eu, filho do meio, fomos educados no melhor estilo da família mineira. Minha mãe preparava o melhor bolo de fubá com café no seu fogão a lenha. A noite, como não tínhamos televisão, meu pai reunia conosco na sala e ouvia o rádio. Comentava a cada notícia sempre dando um tom de correção e a importância da honestidade. Sinceramente não sei quando tive a vontade me tornar um policial, talvez porque sempre brinquei de mocinho e bandido, e por ser mais novo, meus irmãos sempre me faziam ser o bandido, sei lá! Ao ver aquele corpo pensei na minha irmã, sempre era assim, quando via um corpo sempre via alguém da família, isso sempre me forçava a me esforçar em busca do meu melhor. Minha família sempre me ensinou que todos podem fazer a diferença algum dia.'
'Na Acadepol me destaquei. Enquanto os colegas se chafurdavam nos pequenos poderes recém adquiridos com a carteira de policial, eu passava as noites em claro estudando. Nunca fui inteligente, mas sempre fui esforçado. Isso me gerou alguns problemas, porque fui selecionado para ser da Tropa de Operações Especiais, isso sempre acontecia com os dez primeiros, e eu, fui um deles.'

'O Problema é que a corrupção imperava no núcleo da polícia. Os aspirantes eram corruptos, cada um representando uma facção de poder não-estatal da sociedade, a tropa de elite era corrupta e por fim a corregedoria também.'
'Foi me dado duas opções: Obedecer cegamente, ganhar o meu e entrar na Elite OU sofrer as consequências.'
'Naquela época eu acreditava no sistema.'
'A transferência para Januária não foi de todo ruim. Gosto de acreditar que a cidade melhorou muito, quem piorou fui eu. Depois de ver que não adiantava prender, investigar e preencher papel, comecei a… resolver eu mesmo. Foi em Januária que eu conheci as minhas duas paixões: Raphaella e Marcela.
Raphaella e Marcela
'Os marginais sempre confundem as duas, mas as gêmeas tem alguns detalhes que as diferenciam, principalmente o comportamento. Fernanda está sempre disposta a falar, já Raphaella é mais introspectiva e certeira. Algumas pessoas vivem dizendo que elas são de uso exclusivo das forças armadas, mas tudo bem, eu uso a jaqueta justamente por isso.'
'Como dizia, não resolvi todos os problemas de Januária, mas dei uma melhorada geral. Pelo menos todos os marginais que eu conhecia tem atestado de óbito agora.'
'Depois de nove anos em Januária consegui voltar para perto de meus pais, infelizmente o único lugar que tinha vaga era na capital, portanto aqui estou há cinco anos. Cumprindo meu dever, como jurei durante a academia, por mais que isso incomode meus colegas de trabalho. As vezes eu tenho que resolver as coisas por mim mesmo, já fui baleado duas vezes, mas é como se alguém me protegesse'
Na cena do crime, começou a chover torrencialmente.
'Os marginais sempre confundem as duas, mas as gêmeas tem alguns detalhes que as diferenciam, principalmente o comportamento. Fernanda está sempre disposta a falar, já Raphaella é mais introspectiva e certeira. Algumas pessoas vivem dizendo que elas são de uso exclusivo das forças armadas, mas tudo bem, eu uso a jaqueta justamente por isso.'
'Como dizia, não resolvi todos os problemas de Januária, mas dei uma melhorada geral. Pelo menos todos os marginais que eu conhecia tem atestado de óbito agora.'
'Depois de nove anos em Januária consegui voltar para perto de meus pais, infelizmente o único lugar que tinha vaga era na capital, portanto aqui estou há cinco anos. Cumprindo meu dever, como jurei durante a academia, por mais que isso incomode meus colegas de trabalho. As vezes eu tenho que resolver as coisas por mim mesmo, já fui baleado duas vezes, mas é como se alguém me protegesse'
Na cena do crime, começou a chover torrencialmente.Pegadas feitas por um tênis saiam do corpo em direção norte, margeando a lagoa. Almeida resolveu seguir, as pegadas até onde ela fossem. Segurando Raphaella na mão direita e a laterna na esquerda, Almeida andou por aproximadamente três minutos, até se aproximar de um matagal próximo ao córrego que sai na vizinhança da Toca da Raposa.
A vela acesa não deixava dúvidas que era mais um drogado de merda. Os macumbeiros haviam abandonado a região fazia tempo. Sua mão tremula tentava derreter a pedra de crack, preparando para injetar.
Sua concentração e vício era tão grande que ele nem sequer viu o Almeida se aproximar.
"Boa noite, sr. monte-de-merda, posso saber qual a sua participação no servicinho ali atrás?"
“Fala patrão. Quer um trago?”
“Pega esse seu isqueiro e enfia no rabo, monte-de-merda! Te fiz uma pergunta!”
“Calma chefia! Já vamos resolver os pobrêmas todos! A menina pediu por aquilo... Ademais eu sou filho de deputado e ninguém vai me fazer mal, principalmente civil... Tou certo?”
Almeida retirou Raphaella e Marcela , sabia que elas tinham muito o que falar.
“Opa! Já saquei, já saquei... Grana NE?!!? Toma... só tenho R$5000,00. “
Num movimento rápido e fluido, Almeida colocou cada um dos canos na tangente e próximo aos ouvidos do drogado, disparou duas vezes. Propositadamente mirando para além do mesmo, não querendo feri-lo, mas somente deixá-lo surdo, por um bom tempo.
“OPA! Neném mijou nas calças foi?!”
“Seu puto! Você vai ver...”
E foi aí que o drogado errou... já se preparava para retirar as algemas e levar o porcaria preso, mas foi surpreendido pelo largar do cachimbo ao chão e o sacar de uma arma. O tiro mirado em Almeida pegou em sua perna, mas foi o suficiente para que as duas irmãs berrassem em uníssono.
Ao longe, tudo que se viu foram os flashes da pólvora queimando e o estampido de um corpo caindo ao chão.
Naquela noite, mais um corpo foi jogado na Pampulha...
A vela acesa não deixava dúvidas que era mais um drogado de merda. Os macumbeiros haviam abandonado a região fazia tempo. Sua mão tremula tentava derreter a pedra de crack, preparando para injetar.
Sua concentração e vício era tão grande que ele nem sequer viu o Almeida se aproximar.
"Boa noite, sr. monte-de-merda, posso saber qual a sua participação no servicinho ali atrás?"“Fala patrão. Quer um trago?”
“Pega esse seu isqueiro e enfia no rabo, monte-de-merda! Te fiz uma pergunta!”
“Calma chefia! Já vamos resolver os pobrêmas todos! A menina pediu por aquilo... Ademais eu sou filho de deputado e ninguém vai me fazer mal, principalmente civil... Tou certo?”
Almeida retirou Raphaella e Marcela , sabia que elas tinham muito o que falar.
“Opa! Já saquei, já saquei... Grana NE?!!? Toma... só tenho R$5000,00. “
Num movimento rápido e fluido, Almeida colocou cada um dos canos na tangente e próximo aos ouvidos do drogado, disparou duas vezes. Propositadamente mirando para além do mesmo, não querendo feri-lo, mas somente deixá-lo surdo, por um bom tempo.
“OPA! Neném mijou nas calças foi?!”
“Seu puto! Você vai ver...”
E foi aí que o drogado errou... já se preparava para retirar as algemas e levar o porcaria preso, mas foi surpreendido pelo largar do cachimbo ao chão e o sacar de uma arma. O tiro mirado em Almeida pegou em sua perna, mas foi o suficiente para que as duas irmãs berrassem em uníssono.
Ao longe, tudo que se viu foram os flashes da pólvora queimando e o estampido de um corpo caindo ao chão.Naquela noite, mais um corpo foi jogado na Pampulha...
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